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Projeto de usinas flutuantes prevê ampliação e leilões

Reservatório de Sobradinho (BA) recebeu a primeira etapa da iniciativa, com 3,7 mil placas de geração solar que produzirão energia sobre as águas




A inauguração da primeira etapa da usina solar fotovoltaica flutuante, no reservatório da Usina Hidrelétrica de Sobradinho (Bahia), abre a oportunidade para ampliação deste tipo de projeto - que gera energia elétrica com painéis solares sobre espelhos da água - no país. O investimento foi da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e, a partir desta iniciativa, o governo federal quer abrir leilões e atrair investimentos privados para estender esse tipo de ação ao longo da transposição do Rio São Francisco.

O empreendimento, entregue no início de agosto, aproveita a área represada do Rio São Francisco e tem capacidade de gerar de 1 megawatt-pico (MWp) de energia. Segundo os ministérios de Minas e Energia e do Desenvolvimento Regional, é possível elevar o potencial energético abrangido pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco, estimado em 3,5 GigaWatts, e garantir recursos para o bombeamento das águas do rio, que hoje custam R$ 300 milhões por ano.

O uso ampliado das placas deve ser adotado ao longo dos 477 quilômetros de canais de transposição, aquedutos e reservatórios que irão integrar o São Francisco a outras bacias hidrográficas do Nordeste. Além de gerar energia, os equipamentos podem ajudar a reduzir a evaporação da água, o que será avaliado. Nas laterais dos canais também poderão ser implantadas placas solares. O governo destaca que, tanto nos casos de usinas flutuantes quanto terrestres, não há necessidade de desapropriação de terras. Não foram informados prazos para os leilões.

O projeto de Sobradinho utiliza uma tecnologia desenvolvida pelo Centro de Referência em Energia Solar de Petrolina (CRESP) e, para sua ampliação, decreto do presidente Jair Bolsonaro inclui o Projeto de Integração do São Francisco no Programa de Parceria Público Privada (PPI) da Presidência, como programa prioritário para investimentos. Caberá aos ministérios de Minas e Energia e Desenvolvimento Regional adotar medidas para atrair o setor privado, com a promoção de leilões de geração de energia renovável na área de transposição do rio. A estimativa é que possam gerar investimentos de R$ 15 bilhões.

“Além de mitigar os custos com energia para o consumidor final de água, (o projeto) contribui para a modicidade tarifária dos demais consumidores de energia, para a confiabilidade do sistema elétrico, assim como para o atendimento à demanda nacional de energia elétrica”, disse o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em seu discurso na solenidade.

A usina

A usina flutuante inaugurada tem 3.792 módulos de placas solares, área total de 11 mil m² e uma potência de geração de 1 MWp. Ela é fixada ao fundo do lago por cabos, com material próprio para suportar o peso das placas e dos trabalhadores que atuam na construção e manutenção.

O projeto de pesquisa analisa o grau de eficiência da interação de uma usina solar em conjunto com a operação de usinas hidrelétricas. Os técnicos envolvidos no estudo focam em fatores como a radiação solar da região; produção e transporte de energia; instalação e fixação no fundo dos reservatórios; a energia complementar gerada e o escoamento dela. Os estudos ambientais também serão contemplados na pesquisa, focando o efeito da planta fotovoltaica sobre a água do rio, já que as placas instaladas em terra perdem eficiência sob forte calor, além dos impactos na fauna e flora aquáticas.

A segunda etapa do projeto contemplará uma nova usina flutuante também no reservatório de Sobradinho, e ao término da segunda etapa, a capacidade instalada será de 2,5 MWp. O valor do investimento nessas duas plantas solares totaliza R$ 56 milhões. (Com Agência Brasil)


Esta matéria foi redigida pela redação da Revista Fator Solar e Agência Brasil.

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