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Investimento renovável supera combustíveis fósseis



O investimento global em energias renováveis atingiu US$ 288,9 bilhões no ano passado, e superou o destinado à geração por combustíveis fósseis, segundo últimos dados do setor. A informação é da ONU (Organização das Nações Unidas), com base em levantamento da BloombergNEF (BNEF), publicado no Relatório da Situação Global das Renováveis 2019. A energia solar é destaque. Segundo a instituição, as tendências indicam que investir no setor é apostar em um futuro lucrativo.

Como nos últimos anos, a grande responsável pelo desempenho é a China, mesmo desacelerando um pouco seu ritmo. No geral, o investimento em energia renovável chegou a cair 11% em relação a 2017, mesmo assim superou pelo quinto ano seguido os US$ 250 bilhões. O número não inclui a energia hidrelétrica acima de 50MW. A baixa em relação a 2017, segundo a ONU, decorre da queda dos custos da tecnologia fotovoltaica, "o que significa que a mesma quantidade pode ser gerada com menos investimento", além da questão chinesa. Globalmente, a energia solar lidera, com US$ 139,7 bilhões, seguida da eólica (US$ 134,1 bi). “As tendências continuam indicando que investir em energia renovável é investir em um futuro lucrativo. Esses investimentos foram três vezes maiores do que o investido em novas capacidades para gerar energia a partir de carvão e gás”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva da ONU Meio Ambiente, em declaração dada ao site da ONU.

“Embora isso seja encorajador, precisamos intensificar significativamente o ritmo, se quisermos atingir as metas internacionais de clima e desenvolvimento”, ressaltou a diretora.

A China liderou o investimento global no setor pelo sétimo ano consecutivo, com US$ 91,2 bilhões. Porém, esse número caiu 37% em relação ao ano anterior. Segundo a ONU, uma explicação é a mudança na política de tarifas do governo, que afetou o investimento em energia solar.

Veja os responsáveis pelo investimento global em energia renovável, segundo a ONU. China - 32% Europa -21% EUA - 17% Ásia-Oceania (sem China e Índia) - 15% Índia - 5% Oriente Médio - 5% África - 5% Américas (excluindo EUA e Brasil) - 3% Brasil - 1% Na Europa, o total investido aumentou 39%, totalizando US$ 61,2 bilhões, impulsionado em grande parte por projetos eólicos e offshore. Exemplo chinês

Em artigo no site Nikkei Asian Review, o economista do Instituto de Economia e Pesquisa do Leste Asiático, Venkatachalam Anbumozhi, põe a China como exemplo para o setor fotovoltaico. No início deste ano, diz, o país possuía 6 das 10 maiores fabricantes de módulos solares do mundo. No ano anterior, foi o primeiro a passar 100 gigawatts de capacidade instalada, o que equivale à eletricidade produzida por 75 usinas nucleares.

"O governo chinês priorizou o investimento em energia solar pois o permite lidar diretamente com os problemas de poluição do ar, mudanças climáticas e segurança energética", diz, no artigo.

Segundo ele, a China criou um grande mercado doméstico para painéis solares através de subsídios. O Programa de Demonstração Golden Sun, de 2009, pagou aos desenvolvedores uma porcentagem do dinheiro investido em projetos. O segundo subsídio foi lançado em 2011, com uma tarifa de alimentação de energia, paga aos produtores. Em 2015, a iniciativa Front-runner incentivou instalações com maior eficiência de células solares. A concorrência reduziu o preço para US$ 0,06 por quilowatt-hora. O aumento em geração foi tanto que o sistema não conseguiu acomodar toda produção, levando a algumas reduções forçadas.


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